Quem polui menos morre primeiro
Os extremos climáticos já são uma realidade, por mais que os delirados de plantão insistam em dizer que tudo é fruto da nossa cabeça, a cada dia se fazem sentir mais fortes os efeitos. Inclusive muitos cientistas vêm dizendo que já estamos no chamado sem retorno, no que diz respeito ao planeta, que temos feito muito mal ao planeta como sociedade, já está claro também, mas o que às vezes fica nas entrelinhas é que os ricos e multinacionais tem feito muito mais mal que bilhões de seres humanos juntos, mesmo os meios de comunicação agora nos colocando na mesma responsabilidade que os ricos e as multinacionais.
Outro ponto, que pouco tem se escutado, é que os milhões de pobres e mais pobres ao redor do planeta são os que menos poluem, mas são e serão as primeiras vitimas e os mais atingidos pelos extremos climáticos, seja no calor, seja no frio, seja na chuva, na neve ou como se faça sentir sobre a terra. Todos serão atingidos pelas mudanças? Ou todos estão no mesmo barco das tragédias? No que diz respeito aos mais vulneráveis diante do clima, não.
Nas chamadas áreas de risco, quem mora são os pobres, lá estão tentando sobreviver ou construir um teto, justamente nesses lugares seja nos morros, ou outros locais é que o clima bate de maneira mais forte. É lá que os idosos pobres irão passar mais frio ou mais calor, é lá que o SAMU muitas vezes demora mais para chegar, é lá que as pessoas choram e a mídia não vê.
Quem mora nas ruas, os mais pobres das cidades, esses que não possuem tetos, ventiladores ou as cobertas lhes são tomadas, muitas vezes pelo chamado poder público, estão ao relento da forma mais brutal, destinados as ruas e sem a possibilidade muitas vezes de construir algo para se proteger. Estes já sentem os extremos climáticos de maneira mais rígida, estes estão destinados a sede dos calores mais fortes, ou adoecerem nas chuvas ou frios.
Das massas que moram nas ruas, muitos são refugiados climáticos também, que perderam suas casas e deixaram suas vidas para trás devido aos desastres naturais, muitas destas pessoas tiveram promessas de governos de que receberiam ajudas, foram alimentados de esperança e se viram depois de pouco tempo dormindo nas calçadas, saindo da condição de pobres a mais pobres.
Os extremos climáticos irão destinar pessoas pobres às ruas, e estas mesmas pessoas serão julgadas pela pobreza na qual se encontrarão nas ruas com o preconceito social e os estigmas que lhes colocarão a culpa por viverem nas ruas, como já acontece hoje e como já acontece historicamente. Então até nesse ponto os pobres, que ficarão sem casas pelos desastres ambientais, sofrerão as mudanças climáticas.
Governos, meios de comunicação, ricos, super ricos, multinacionais seguirão fazendo campanhas e arrecadando muita grana com os discursos sobre meio ambiente, ironicamente quem vendeu com a poluição seguirá vendendo com o cuidado ao planeta, os mesmos que começaram a agir quando viram que os desastres podem ser realidades as suas portas também, mas que possuem mais meios para se protegerem. Serão estes que seguirão nos colocando no mesmo patamar de culpa dos grandes responsáveis pelos extremos climáticos, mas mesmo ficando nas entrelinhas dos encontros e debates, mais uma vez pobres e mais pobres são/serão os que sentirão primeiramente e de maneira mais cruel os efeitos dos extremos seja no frio ou calor.
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